DESENHO ANTAGÔNICO

Meu objetivo foi o de tentar colocar o trabalho exatamente na zona de intersecção ficcional. Pensando no conceito de desenho cheguei em seus elementos formais e irredutíveis: a linha, o plano e o volume.

Quando cheguei às palavras “linha” e “plano”, comecei a pensar também no significado político delas e como esses significados, diversas linhas políticas, por vezes alinhadas, por vezes adversárias, unem-se ou repelem-se na construção de planos de construção e/ou resistência. Por sua vez, como sempre admirei as estratégias de resistência, fundamentadas no uso inventivo dos objetos do cotidiano que os grupos oprimidos lançam para oferecer resistência e, eventualmente, mudar cenários opressivos e injustos cheguei no chamado “miguelito”. Trata-se, basicamente, de dois pregos ou pedaços de metal, entortados e unidos de tal maneira que, quando lançados, mantenham sempre uma ponta para cima. O objetivo desse artefato é impedir o avanço do adversário. Sejam veículos ou pessoas, a ideia é que ofereça uma resistência que permita, ao menos, o ganho de tempo para articulação, ação e contra-ataque.

Unindo os elementos comecei a pensar num formato expositivo que ao mesmo tempo que lembra os antigos manuais de desenho, também serve como uma espécie de manual de construção de um objeto GeoMétrico de resistência. Pensei os pregos e arame como linhas, a deformação dos mesmos na construção de planos e da união desses planos, associando diretamente ao volume, à resistência – que é inerente à matéria que constitui o mundo sensível. Além disso, o uso de um formato bidimensional e digital aumenta a possibilidade de circulação do trabalho.

Concepção e realização artística / Conception and artistic director / Création et direction artistique Diego Kern Lopes

Estudo de DesenhoDiego Kern Lopes

Objeto

Pregos e arames

Vitória

2016